A indústria elétrica e eletrônica brasileira encerrou 2025 com faturamento de R$ 270,8 bilhões, registrando crescimento real de 4% (descontada a inflação), segundo dados divulgados pela Abinee.
O crescimento nominal foi de 8%, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
Para 2026, a projeção é de faturamento de R$ 289 bilhões, com crescimento real estimado de 3% e avanço nominal de 7%.
Os números mostram algo relevante: o setor segue resiliente, mas o ritmo se torna mais seletivo e estratégico.
Indicadores que Merecem Atenção
Além do faturamento, outros dados reforçam a maturidade do setor:
-
Empregos: crescimento de 1% em 2025, encerrando o ano com 288 mil trabalhadores.
A projeção para 2026 é atingir 292 mil empregados. -
Investimentos: aumento de 9% em 2025 (R$ 4,7 bilhões).
Para 2026, a expectativa é atingir R$ 5 bilhões (+7%). -
Exportações: crescimento de 3% em 2025 (US$ 7,9 bilhões).
Destaque para Telecomunicações (+22%) e Utilidades Domésticas (+20%).
Em 2026, a expectativa é novo avanço de 3%. -
Importações: alta de 3% em 2025 (US$ 49,1 bilhões).
O setor segue dependente de semicondutores (US$ 6 bilhões) e forte origem na China (45%). -
Capacidade instalada: estável em 78% em 2025, com previsão de leve queda para 77% em 2026.
Crescimento com Mudança de Perfil
Segundo a Abinee, o crescimento foi impulsionado pela busca por produtos mais sofisticados e novas tecnologias.
Áreas como:
-
Data centers
-
Inteligência artificial
-
Eletrônica embarcada
-
Geração, transmissão e distribuição de energia
têm ampliado investimentos e demanda por soluções de maior valor agregado.
O segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) deverá apresentar crescimento nominal de 11% em 2026 (real de 7%), reforçando a expansão da infraestrutura elétrica nacional.
Já Automação Industrial e Componentes Elétricos e Eletrônicos devem crescer nominalmente 7% (real de 3%).
O recado é claro:
O mercado não está crescendo apenas em volume — está evoluindo em complexidade.
Produção Física e Eficiência Operacional
Apesar do crescimento em faturamento, a produção física recuou 1,4% em 2025.
Esse dado é estratégico.
Ele indica que o crescimento está ligado a:
-
Produtos de maior valor agregado
-
Tecnologia embarcada
-
Sofisticação técnica
-
Não necessariamente aumento de volume bruto
Ou seja, eficiência e engenharia passam a ser diferenciais competitivos.
O Que Esperar de 2026
A projeção de crescimento real de 3% em 2026 aponta para um cenário mais moderado, porém consistente.
Empresas que deverão capturar esse crescimento são aquelas que investirem em:
✔ Automação de processos
✔ Confiabilidade e redução de retrabalho
✔ Engenharia de materiais aplicada
✔ Integração entre máquina e insumo
✔ Rastreabilidade e controle de processo
O mercado se torna mais técnico e menos tolerante a variabilidade.
Crescimento Sustentável Exige Engenharia Aplicada
O dado mais relevante não é apenas o crescimento percentual.
É o contexto:
-
Consumidor mais exigente
-
Produtos mais sofisticados
-
Maior pressão por eficiência
-
Aumento de investimentos em infraestrutura energética
-
Demanda crescente por eletrônica embarcada
Isso exige sistemas de proteção, encapsulamento, automação de aplicação e controle térmico cada vez mais robustos.
Empresas que ainda operam com processos manuais ou soluções genéricas tendem a sofrer aumento de retrabalho e custo de garantia.
O crescimento de 3% em 2026 não será distribuído igualmente.
Ele favorecerá quem estiver tecnicamente preparado.
A indústria eletroeletrônica brasileira demonstra maturidade e capacidade de adaptação.
Agora, o diferencial competitivo deixa de ser apenas produzir
e passa a ser produzir com estabilidade, controle e confiabilidade.
O próximo ciclo não é de volume.
É de engenharia.


